17/02/2013

Sobre matches e ‘dismatches’

Foto: Arquivo pessoal - Central Park


Olá pessoal! Hoje vim falar de um assunto que causa muita ansiedade entre as candidatas a au pair: a espera pela família e o match.
Ansiedade é um sentimento que acompanha cada passo do processo de au pair. Entrar no processo significa que: quem já sofre de gastrite vai ter crises de dor, quem não sofria vai passar a sofrer, quem rói as unhas vai ficar só com toquinhos, quem tem sono leve vai passar a sofrer de insônia braba, quem tem dermatite vai desencadear uma reação de se coçar toda. Aliás, AU PAIR deveria ser a sigla para algo como Aquele Único Problema Ainda IRetornar.
Rsrs.
Calma.
Brincadeiras à parte, a espera primeiro para ficar online, depois pelas famílias, depois para que aquela família que apareceu fale com você, depois o nervosismo dos primeiros Skypes (sem contar com as que passam por outras entrevistas telefônicas intermediárias com a agência para conferir o English), o match, o visto... tudo envolve uma boa dose de nervosismo e ansiedade. Infelizmente, tanta ansiedade e vontade de embarcar logo e dar corpo aos sonhos acaba fazendo com que muitas meninas façam o match com famílias onde acabam não se encaixando, ou onde não souberam fazer as perguntas certas e coisas ficaram no ar, o que acaba criando problemas e atritos diversos com a família quando já se está lá com eles.

Escolher a Family e ser escolhida por ela é uma coisa séria.

Eu costumo falar que existe uma au pair perfeita para cada Family, e uma Family perfeita para cada au pair.
Por exemplo, olha o meu caso: eu tinha carteira de habilitação muito recente, e habilidade quase zero para dirigir. A Family com a qual fechei (e fiquei os dois anos) tinha apenas um bebê e não precisava que eu dirigisse. Eu sou calma, muito ‘na minha’, e a Family tinha só um bebê que no início não exigia grande atividade física ou interação, e depois foi crescendo enquanto eu estava lá até se tornar um lindo garotinho de dois anos, meu companheirinho.
Para várias au pairs amigas minhas na época, minha situação era um pesadelo: passar o dia todo com um bebê, que não fala (no início), não interage do mesmo jeito que uma criança mais velha, que tem que olhar o tempo todo e fazer tudo por ele, e ainda por cima não dirigir nem ter carro. Que situação terrível!
Pelo contrário, para mim parecia muito mais difícil ter que responder aos infinitos argumentos, birras e pedidos de duas ou mais crianças mais velhas, ter que dirigi-las tooodos os dias para a escola e outras atividades, e ainda ter que lidar vez por outra com: crianças doentes que não vão à escola, escolas fechadas por causa da neve, verão com as crianças em casa e au pair tendo que pensar em algo para fazer com elas. Minha rotina já era ficar o dia todo com o bebê, então não tinha esses imprevistos. Ele também não tinha maus costumes, era um bebê! Quando foi crescendo, fui ensinando a ele a guardar os brinquedos quando terminasse, a assoar o nariz, a não correr quando estivéssemos na rua.
Fosse verão ou inverno, eu trabalhava o dia todo e BAM! Tinha noites e finais de semana livres, já que as horas eram bem usadas durante a semana. Não nego que às vezes lamentei não ter carro, mas também nunca precisei pagar uma multa de estacionamento ou ter atrito por causa de gasolina. Não nego também que quando os kids de outros au pairs iam à escola e eles se juntavam para jogar futebol nesse horário durante o dia, fiquei mais de uma vez com vontade de participar, mas estava on duty e a rotina do meu molequinho de estimação não permitia encaixar a saída durante o dia. Mas... em compensação às 6:30 da tarde eu estava livre. Todos os dias, praticamente sem exceção. O qual, principalmente no verão, é uma grande vantagem.
Mais uma vez, lembre: existe uma au pair perfeita para cada Family, e uma Family perfeita para cada au pair.
Avalie! Você se dá melhor com crianças mais velhas ou prefere bebês? Gosta de dirigir? Prefere ficar mais na sua ou precisa da interação, de conversa, de sair? Tem paciência para descobrir o porquê de o bebê estar chorando, não liga para potty training ou prefere não ter que trocar uma fralda e prefere mil vezes lidar com os conflitos de crianças mais crescidas, que podem te dizer com palavras se estão com fome, sede ou tédio?
Avalie! E avalie PRINCIPALMENTE os aspectos negativos antes do que os positivos. Porque, se você por aspectos positivos na balança, a conta acaba ficando entre “mais vantagens” e “menos vantagens”, quando o que você deveria pensar é: “consigo ou não consigo lidar com isto?”.
E principalmente: avalie ONDE O TEU CALO APERTA. Se você não aguenta ficar sem carro, se você não toleraria dividir o banheiro, se se irrita com gato/cachorro, vovó de visita ou viagens em família. Faça perguntas à sua potencial host Family, muitas perguntas! Não tenha medo, pois os americanos costumam ser muito diretos e preferir tudo às claras. Algumas meninas querem mesmo fazer parte da família e ser incluídas em viagens, se for o seu caso, saiba que talvez tenha mais ocasiões em que precise prestar favores por ser “da família”. Se você, por outro lado, pensa que família é uma só e está no Brasil, se não pretende fazer vida familiar e jantar com os hosts, e não pretende ser levada em viagens ou jantares, ótimo. Saiba que pode ser uma situação um pouco solitária. Isto é algo sério e também precisa ser perguntado: veja se as kids parecem carinhosas ou tímidas (o que pode revelar que a au pair é mais ‘babysitter’ e menos ‘big sister’), pergunte aos hosts o que eles esperam da au pair ou do seu comportamento, isso ajudará a saber se você será tratada mais como membro da família ou mais como funcionária. Faça perguntas que testem o senso comum dos pais, sobre schedule, tarefas, mascotes, sobre seus deveres e atividades. Não deixe nada de fora.
Pergunte se os pais são originários da cidade onde moram. Se a resposta for não: ‘oh really? Que interessante! De onde são então?’. Isso já dá abertura para perguntar se costumam visitar suas cidades ou se os avós visitam com frequência. Se a resposta for sim, nasceram na cidade onde moram, então é bom saber se os avós visitam, qual a relação com eles (para saber se terá mais gente no seu pé durante o ano).

Claro que você não vai conseguir prever o que acontecerá nos 365 dias como au pair, mas algumas coisas dá para ter uma noção do que será. Lembre-se: cada grão de areia vai virar uma pedra bem maior depois de alguns meses. Avalie, avalie, avalie. Faça perguntas. Pense friamente. Não desperdice seu sonho por tomar uma decisão precipitada.
Acredite, a Family perfeita PARA VOCÊ vai aparecer. E só você vai saber avaliar a Family perfeita para você, que não vai ser perfeita para sua amiga, para sua colega ou para as outras au pairs dos arredores.

Porque ser au pair não vai ser um mar de rosas os 365 dias do ano, mas a graça está em fazer com que no fim, quando você passar por aquele instante enquanto você se afasta e olha através da janelinha do carro pela última vez para a casa da Family (esperemos que em bons termos) e acredite, nesse momento passa um filme na sua cabeça com todas as histórias que você viveu lá, que esse filme te faça sorrir e pensar que tudo valeu a pena. 

12 comentários:

Eveline disse...

Amei! acho que tow encontrando a familia certa pra mim, e tento nao deixar a ansiedade me levar, mas eh dificil viu! Amei o post. bjo p tu!

Suélen Breier disse...

LIIIINDO demais! Era tudo o que eu precisava ler!! :D Vou ter bastante tempo pra encontrar a família, então acho que está tudo certo :)

Nayrasx disse...

muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito bom esse post ! gostei gostei *-*

eu ainda to na fase de terminar o app e entregar a documentação ><

ღDaiღ disse...

Muito bem escrito e muito util mesmo! Avalie avalie e avalie!

Júlia Menezes disse...

É o meu novo lema 'Avalie, avalie e avalie!!"

Cláu disse...

Amei seu post Mari! E confesso que meus olhos encheram de lagrimas quando li sobre olhar pela janelinha do carro pela última vez pra casa da HF. Nossa, tenho 5 meses pela frente ainda, mas meu coração aperta sempre que penso nosso, e quando minha host fala disso, sempre choramos. É tao difícil vir, mas acho que mais difícil ainda é voltar. Mesmo nao gostando de morar nos EUA e contando nos dedos os dias pra rever meus pais e meu namorado, me doi saber que nao verei mais a minha HF,sabe-se la por quanto tempo...

Você que pegou baby, como eu, poderia escrever como foi depois que chegou no Brasil, se você ainda acompanha algo do crescimento dele, se tem contato com a família, ou se simplesmente "passou" e cada um esta seguindo sua vida. Tenho curiosidade em saber se existe a chance de continuar mantendo contato. Os meus hosts querem ir pro Brasil em dois anos, ou tres... veremos!

Mari disse...

Que bom Eveline! A ansiedade trai a gente, não deixa ver o que precisamos ver. Take it easy, logo sua family chegará! Um abraço.

Mari disse...

Que bom que gostou! Aproveite que você vai ter tempo para encontrar a família, para poder pensar bem ponto por ponto.

Mari disse...

:D
Essa fase de app e documentação é meio cansativa mesmo, mas confie, dias melhores virão! Um abraço

Mari disse...

É isso que eu digo! Rsrs. Obrigada.

Mari disse...

Rsrs que bom! Suas chances de dar certo com a família que fizer o match tendem a aumentar.

Mari disse...

Oi Cláu! Que bom que gostou.
Gostei da sugestão! Estou mesmo pensando num assunto para o próximo post, então vou considerar a sugestão. Os meus ex hosts também queriam (acho que ainda querem) vir para o Brasil. Tinham falado em vir para a Copa, quem sabe! Não sei se os planos continuam agora que tem o segundinho.