14/07/2016

Amizades


Quando você está no Brasil e possui as suas amigas de infância, acredita que todas as garotas são legais como as suas amigas, pois eu te digo caro (a) leitor (a), puro engano.
Por motivos óbvios, achei melhor não colocar uma foto das pessoas que serão tratadas nesse post, mesmo porque cada um tem a sua vida e os amigos e maridos dessas garotas talvez não saibam o quanto elas podem ser "mean" com as outras pessoas.

Um caso em especial me abalou e muito, o que realmente fez com que eu decidisse não trocar o meu visto e voltar pro Brasil.
Eu tinha uma amiga no Brasil que eu conhecia desde os meus 5 anos de idade, tivemos muitas aventuras e ela era uma das minhas melhores amigas.
Quando eu estava com 8 meses de programa ela sofreu um acidente de carro em Curitiba e morreu na hora.
Aquilo me deixou deprimida de verdade, tinha insônia, não comia direito, não tinha vontade de ir para as baladas de NY, enfim, aquela tristeza que só quem perdeu um amigo de verdade sabe como é.
Nos EUA eu tinha três amigas bem próximas, duas delas me ajudaram nesse começo, mas uma delas realmente não deu a  mínima atenção, inclusive, não deixou nem que eu falasse o que havia acontecido.
Com o passar do tempo e minha tristeza aumentando, essa mesma garota começou a fazer a cabeça das outras para que não me chamassem para passear, pois eu estava sendo inconveniente com a minha tristeza, estava ficando chata.
O pior é que, eu tinha conta em banco e um cartão de débito, mesmo depois dela começar a me deixar de lado, ela ainda pedia para que eu passasse o meu cartão para comprar apresentações e passeios na nossa viagem já programada para a Califa.
Quando voltamos das férias, eu decidi que não queria mais a amizade dela e foi o que eu fiz, não a procurei mais e resolvi fazer novas amizades, porque afinal de contas, eu precisava de pessoas que pudessem me ajudar a sair do fundo do poço onde eu me encontrava.
A outra garota que morava próxima a nós, decidiu ficar com ela e acabamos nos separando também, mas de uma certa forma eu a entendo, deveria ser muito mais interessante sair com a outra garota do que comigo que estava tão triste.
A parte boa é que fiz novas amizades, dessa vez eu estava com o inglês bom e conseguia conversar com as gringas sem maiores dificuldades, foi onde conheci as melhores garotas que eu poderia conhecer naquele momento: uma suíça, uma argentina e uma italiana, que foram as melhores companhias ever. Mantenho contato com elas até hoje e sei que a distância nunca fará com que deixemos de gostar umas das outras.

14/06/2016

Meu ilustre vizinho Bill Clinton


Para iniciar as minhas postagens no blog, achei melhor começar pela história mais cômica/trágica que eu vivi nos EUA.

Eu morava em uma cidade chamada Chappaqua, a 50 minutos de Manhattan, portanto suburbio como costumamos ver nos filmes, com jardins na frente da casa, cerca viva, casas enormes e muuuuitas árvores, por todo lado, confesso que no outono isso era o que mais me agradava, mas deixa as estações de ano para outra postagem.

Eu havia chego na casa dos hosts há 3 dias e fui em um college, dirigindo completamente sozinha, para fazer o placement test, já que eu gostaria de iniciar o curso de inglês o mais rápido possivel. Eu dirigia muito mal, havia tirado a habilitação no Brasil,mas não tinha prática, então dirigia bem devagar.
Fiz o test no college, peguei todas as informações e voltei dirigindo pra casa, as cidades eram próximas, então não tive maiores problemas em chegar em Chappaqua, mas quando cheguei, não lembrava aonde ficava a entrada para a minha casa e, sem saber dirigir muito bem, fiquei nervosa.

Eu sabia que estava próximo de casa, então entrei na primeira rua que vi, anotei o nome da rua pra ligar pra host e perguntar como chegar em casa, parei o carro e liguei pra ela.
Eu: I´m lost (sic), I´m at old house street
Host: Don´t worry, you are close, take the 117 road again and turn the first street on your right
Eu: thanks

Liguei o carro, fiz o retorno e peguei a 117 de novo, quando de repente, vi DOIS carros de polícia atrás de mim, fiquei um pouco mais nervosa, pensei comigo, "estou dirigindo muito devagar e os caras podem ficar nervosos com isso" resolvi sair da frente deles e entrei em qualquer rua pra deixar eles passarem e pra minha surpresa os policiais pararam atrás de mim.
Fiquei muito mais nervosa, nunca tinha sido parada por policiais no Brasil e não fazia idéia de como agir, resolvi sair do carro pra pedir ajuda a chegar em casa.
Um deles desceu do carro e começou a esbravejar comigo, parecia um pitbull latindo. Imaginem vocês, eu estava nervosa porque estava perdida, nervosa porque estava em um país estranho para a aventura da minha vida, nervosa porque estava dirigindo e não tinha muita experiência, nervosa porque não falava inglês e tinha uma dificuldade enorme em entender o que as pessoas diziam e agora, estava sendo parada pela polícia pela primeira vez na minha vida.

Travei e não entendia nada do que o policial me perguntava, e ele também não ajudava muito esbravejando daquele jeito. Eu repetia a todo momento : I´m au pair, I´m lost (sic), could you help me to go home?

Até que ele viu que eu não falava muito bem o inglês e perguntou se eu falava espanhol, nesse momento começou a minha verdadeira aventura around the world, segue diálogo:

Ele: do you speak spanish?
Eu: No, but I understand

Então ele começa a perguntar em espanhol e eu a responder em inglês, como eu não sei escrever em espanhol, vou deixar a parte dele em português mesmo rss

Ele: aonde você está indo?
Eu: to home (sic)
Ele: Aonde você mora?
Eu: (dei meu endereço)
Ele: me dá os seus documentos

Eu mostrei a minha habilitação internacional e enquanto ele falava comigo, havia um outro policial olhando com uma lanterna dentro do meu carro. Enquanto eu repetia que eu era au pair e estava perdida, se ele poderia me ajudar a chegar em casa, ele leu na minha habilitação que eu era brasileira, então o tom de voz mudou, de pitbull ele passou a ser um doce gatinho, quase manhoso.

 Ele: ohh, are you brazilian?
Eu: yes
Ele: há quanto tempo você está nos EUA?
Eu: one week
Ele: não se preocupe, nós vamos te ajudar a chegar em casa
Eu: Thanks a lot (quase chorando de nervoso)
 Ele mandou o outro policial ir embora e fez sinal de que estava tudo bem, então o outro carro que acompanhava o primeiro foi embora. Fiquei esperando ele terminar de anotar os meus dados, os dados do carro pra confirmar a minha história e então ele perguntou se eu sabia o que eu havia feito de errado, mais uma vez eu falei errado e disse: I don´t have any idea. Ele me disse então que eu havia parado em frente a casa do ex presidente Bill Clinton, com o meu Mazda ano 92 e os seguranças acharam que eu era um carro suspeito e chamaram a policia pra averiguar.
Nunca mais entrei naquela rua.
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